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Um Centro de Saúde do outro mundo.

 

Hoje visitei um país ao qual não ia há muitos anos.

Para ser mais preciso, estive no centro de saúde desse país. Escrevo sobre este tema para que possam comparar entre o que temos em Portugal e o que há noutros países.

A entrada deste centro de saúde não é grande em tamanho mas é grande em caus.

Do lado direito da entrada estão dois sujeitos que supostamente são seguranças do espaço mas a verdadeira função deles é dar senhas e fazerem-se substituir dos quadros de notificação de chamada que nós por cá temos. Aqui também os há mas aparentam não funcionar há muito.

São eles que vão apontando num caderninho os números de senhas que vão entregando e são eles depois que dentro do que acham uma chamada correcta vão dando seguimento ao processo.

Ao lado deles duas secretárias parecidas com as que cá temos nas escolas. Simples mesas com simples cadeiras e com duas senhoras a atender, tentando dar resposta ao caus.

“Não tem médico de família? Não lhe posso marcar consulta agora. Terá de vir amanhã bem cedo e tentar nas senhas para as consultas do dia…”. Se não for bem cedo é bem provável que perca a viagem…

Do lado direito da entrada uma suposta sala de espera. Efectivamente tem cadeiras e as pessoas esperam e desesperam. Para não desesperar muito vão conversando mas a sua conversa vai crescendo de volume até que as duas senhoras que ali estão no atendimento também desesperam por não conseguirem ouvir ou fazerem-se ouvir.

Porque o caus era pouco lá aparece um médico a pedir para alterar os dados de uma consulta que ela, a médica se enganou entretanto. Isto obriga a que a senhora do atendimento se ausente mais de dez minutos deixando apenas uma na frente de caus.

Afinal este centro de saúde não é de outro país. É o centro de saúde da minha área de residência, de Algueirão-Mem Martins. Não o frequento por opção e troquei-o há muitos anos por outro, mais distante mas muito mais funcional.

É verdade que o edifício não é o adequado. É verdade que a população cresceu mas o edifício e o pessoal médico não acompanharam esse crescimento.

Mas não deixa de ser verdade que este drama diário tem décadas e a responsabilidade toca ao Ministério da Saúde, à Camara Municipal de Sintra, à Junta de Freguesia de Algueirão – Mem Martins, à Direcção do centro de saúde mas sobretudo a nós cidadãos que reclamamos sem nada fazermos.

Não é uma questão de vergonha de vivermos junto de Lisboa, num dos maiores municípios numa das maiores freguesias e sermos sujeitos a uma unidade de saúde tão precária. É uma questão de dignidade.

Eu uso outro centro de saúde da Grande Lisboa e tenho o mote de comparação entre algo que funciona, e hoje em dia até funciona melhor por estar num edifício construído de raiz para o efeito, e uma unidade que NUNCA funcionou de modo eficiente. Posso andar para trás 30 anos e recordo-me das mesmas filas para entrar antes das portas abrirem em busca da senha do dia. Posso lembrar-me do meu caminho diário para a escola e recordar-me de pessoas que iam para ali tirar senhas para outros que vinham mais tarde.

Algueirão – Mem Martins não pode ser apenas grande em população. É preciso dar resposta aos cidadãos e uma resposta com um serviço digno.

Algueirão – Mem Martins precisa para ontem de um centro de saúde construído de raiz e precisa, a acompanhar essa mudança de um novo modelo de gestão.

Há fogo!

 

Um sujeito andava farto do local onde vivia. Cheio de conflitos, de corrupção, de jogos de interesses…

Um dia decidiu que aquilo não poderia continuar e se a sociedade não mudava, mudar-se-ia ele. Um dia agarrou na sua bagagem e mudou-se para o meio de uma floresta, uma floresta tão longínqua que nem ele encontraria vestígios da sociedade nem a sociedade encontraria vestígios dele.

Partiu e construiu uma casa de madeira com tudo o que ele precisava. Durante muito tempo a vida decorreu tal como ele previu.

Um dia chegou lá um sujeito de mochila às costas. Como já há muito não falava com ninguém, decidiu acolher o estranho para uma refeição. Descobriu duas coisas: o mundo estava ainda na mesma e o sujeito que acabara de conhecer tinha as mesmas motivações que ele.

A floresta era enorme e uma companhia não faria mal. Convidou-o a construir uma casa ali, perto da sua.

E durante algum tempo viveram assim. Com o passar do tempo foram chegando mais algumas pessoas, todas com as mesmas motivações, viver longe de um mundo perdido e mais perto da natureza. Aquele conjunto de pessoas não era bem um grupo, não era bem uma comunidade. Viviam ali perto uns dos outros, falavam, trocavam ideias, às vezes trocavam até bens mas cada casa de madeira era como se fosse um castelo pessoal.

O sujeito que chegou primeiro acabou por ser privilegiado. Quando os outros chegaram ele já tinha a casa feita, uma bela horta e até um forno a lenha. Porque foi alimentando os que iam chegando, estes acabaram por lhe oferecer parte das suas colheitas como agradecimento por os ter ali acolhido.  Este agradecimento durou bastante tempo até que se tornou numa coisa normal. Um dia veio uma forte tempestade que destruiu grande parte das colheitas.

Nesse ano os habitantes sabiam que tinham de racionar o alimento. Nesse ano não teriam a abundancia do costume. O primeiro sujeito que ali edificou a sua casa perguntou logo pela sua oferenda. Os outros tentaram explicar que nesse ano não seria possível, não tinham para si quanto mais para oferecer… então ele exigiu-lhes o tributo com a promessa que se um dia voltassem a precisar de algo, ele não os ajudaria. Como recusar a quem tinha mais terras aráveis, mais posses, mais condições? Mais valia pagar e apertar mais o cinto e salvaguardar o futuro! Quem sabe se no futuro não precisaram da sua ajuda…

Um dia um dos membros deste ajuntamento surge do meio das árvores a gritar “há fogo! Há fogo!”

Fugiram todos. Cada um para dentro da sua casa. Trancaram portas e janelas e ficaram lá dentro a espreitar pelas frestas. O fogo, esse foi avançando ruidosamente.

De dentro das suas casas iam gritando uns para os outros “há fogo ali…”, “Já o vejo daqui…”.

Em certos momentos, uma fagulha mais convicta ia direito a casa de um deles. Esse gritava bem alto “tenho uma porta a pegar fogo…”. Ele ia lá e apagava rapidamente a fagulha. “Já passou” gritava ele para os outros.

Em alguns momentos a fagulha era persistente e não se deixava vencer com umas sacudidelas. O sujeito que estava a sofrer nesse momento gritava a plenos pulmões “Está a arder, está a arder. Preciso de ajuda”. E os outros levavam um balde de água até à sua porta para logo fugirem para a sua casa.

Não sei como esta história continua. As casas podem ter ardido. Podem ter ardido algumas delas. O fogo pode ter-se apagado por milagre ou apenas ter mudado de direcção.

Sei que nesta altura alguns ponderam fazer contrafogo a partir de dentro das suas casas o que à partida parece-me apenas que só servirá para acelerar o processo.

Sei também, tenho mesmo a certeza que juntarem-se para combater o fogo ou para limparem a área em torno das suas casas traria muito mais resultados do que estarem fechados dentro das suas casas.

Sei que atrás de portas e janelas de madeira não se estão a defender de nada e que essas mesmas portas e janelas os irão impedir de sair se precisarem.

Sei que quando se forma um grupo, o melhor é estarem todos em pé de igualdade porque o mais forte arrisca-se a ficar apenas o individuo mais forte, rodeado dos restantes mais fracos que se juntam para se defenderem.

Pragmatismo Ideológico

Conceito de Ideologia: Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade.

 

Recentemente o ainda Presidente da República referiu-se à vitoria do pragmatismo sobre a ideologia. Mais um inconseguimento da sua parte uma vez que o que venceu foi a sua ideologia face a outra que se não é oposta é com toda a certeza bem diferente.

Este tipo de argumento vinga numa sociedade que se tornou politicamente analfabeta e que considera a política como um antro de malandros corruptos e não como deve ser considerado, um grupo eleito pelo povo para, com base na sua ideologia, nos gerir o presente e projectar o futuro.

O futuro não se faz com o “tio” que aparece todos os domingos à hora de jantar que é simpático e vai opinando feito cata-vento. Marcelo Rebelo de Sousa tem em si uma carga ideológica que NUNCA fará dele o presidente de todos os portugueses, tal como o actual.

Ainda não passaram 4 meses desde que Marcelo Rebelo de Sousa apoiou Pedro Passos Coelho e a PaF apesar de muito ter criticado os 4 anos anteriores.

O Projecto “Cidade Sonae”, que passou vários mandatos na gaveta do Presidente da Camara Municipal de Sintra por opção ideológica, saiu agora da gaveta pela mão de Basílio Horta em resposta à sua ideologia politica e ainda não avançou porque apesar da sua ideologia tem sido sensível à quantidade de pessoas que apresentaram feedback negativo ao projecto.

Quando se opta por salvar um banco ou vários em detrimento de pessoas, não é pragmatismo, é uma opção ideológica.

Pragmatismo aconteceu em 1938. A ideologia nacionalista estava em voga um pouco por todo o mundo e Hitler ocupou a Áustria em Março de 1938. Por uma pragmática política do apaziguamento a Europa nada fez e logo depois Hitler exigiu a região dos Sudetos, na Checoslováquia. Pragmaticamente o território foi concedido pela França e Reino Unido no Tratado de Munique. Esta situação é em tudo igual à actual situação na Crimeia. Em pouco tempo, e apesar do dito Tratado, a Checoslováquia estava totalmente anexada pela Alemanha.

O pragmatismo europeu só acordou a 1 de Setembro de 1939 quando a Alemanha invadiu a Polonia.

Não estou aqui a tirar o valor do pragmatismo. Uma ideologia é um caminho a percorrer com base em determinados critérios. A sociedade nunca ou quase nunca se apresenta propicia a uma única ideologia e por isso o caminho não se apresenta como uma recta isenta de obstáculos. Com pragmatismo é preciso interpreta-los e contorna-los do melhor modo sem perder de vista o horizonte.

Voltando ao início, e fechando o ciclo, a grande questão reside num imenso analfabetismo ideológico e na doce tentação de uma ideologia que se alimenta do sucesso de poucos às custas da miséria de muitos, um típico sonho americano.

Sendo eu pragmático, não tenho o objectivo de explorar aqui ideologias nem sequer tentar demostrar a melhor. Para isso, recomendo um pequeno livro de leitura rápida e fácil de compreender: “Esquerda e Direita: Guia Histórico para o Século XXI” de Rui Tavares.

Também neste livro, o objectivo não é convencer ninguém a optar por esta ou outra ideologia mas sim apresenta-las nas suas diversas dimensões.

As caras bonitas são para aparecer na televisão e nas revistas. Gente simpática é boa para o convívio no café ou mesmo em nossas casas. Do nosso presente e para o nosso futuro, ainda que por vezes com o pragmatismo necessário, é a ideologia que nos norteia o voto.

Denominador Comum: SNAP

Jorge Sampaio sobre Sampaio da Nóvoa:

“Sampaio da Nóvoa é salutar para a democracia portuguesa, vem da sociedade civil e representa a renovação que é esperada na vida política portuguesa. Tem todas as características de Presidente da República: capacidade de diálogo, de fazer pontes, de unidade e mediação, de incentivar o compromisso e é sobretudo uma pessoa capaz de ter causas. O país precisa de uma pessoa de causas para voltar a ter esperança.”

De entre testemulhos e apoiantes mais ou menos conhecidos, destaco esta frase e não o faço de ânimo leve. ´

Antes de avançar tenho de afirmar que este é o meu candidato e naturalmente que isso influenciará o discurso, no entanto este facto em nada desvirtuará a argumentação.

Se o caro leitor é de direita, nada mais natural que a intenção de voto em Marcelo Rebelo de Sousa, mas se não é e ainda assim está inclinado a votar nele, é preciso avivar a memória que este se chama Marcelo em honra de Marcelo Caetano. A sua família tinha laços fortes com o Estado Novo e Marcelo Rebelo de Sousa, ainda que seja de outra geração, faz parte da classe politica obscura envolta em negócios e teima em rejeitar e podemos dar o exemplo da relação veraneante com Ricardo Salgado. Vasculhando a comunicação social encontraremos muitos outros casos que nunca foram clarificados e ficaram-se nas brumas da memória e só isso justifica que Marcelo se candidate com uma imagem de pessoa integra que provavelmente não é.

Mas voltemos para o terreno onde estamos confortáveis, tendencialmente à esquerda e ao testemunho de Jorge Sampaio.

Hoje ouvia na Antena1, na Antena Aberta um sujeito militante do PCP e que costuma participar a defender Edgar Silva como o melhor candidato. Segundo ele, esta seria a sua opção mas numa segunda volta votaria Sampaio da Novoa. Este discurso tem-se repetido dezenas, centenas ou mesmo milhares de vezes e até mesmo Maria de Belém o disse. Tirando os que à priori já vão votar em SNAP, a maioria dos que não vão votar em Marcelo Rebelo de Sousa apontam SNAP como opção à segunda volta.

E é precisamente aqui que o testemunho de Jorge Sampaio faz todo o sentido. Ainda que se goste mais deste ou daquele candidato, ainda que se goste mais deste ou de outro programa, Sampaio da Novoa apresenta-se como o candidato que todos aceitam como sendo um bom candidato à Presidência da República Portuguesa.

E não é isto que pretendemos? O Presidente de TODOS os portugueses?

Eu deposito a minha confiança e o meu voto em Sampaio da Novoa e estou certo que o caro leitor considerará este como uma boa opção mesmo que seja uma segunda opção.

Desafio-o então a ler os programas de todos os candidatos, pelo menos dos que julga serem opção para o seu voto e depois os compare.

Não apelo ao voto neste ou noutro candidato, apenas que conheça o que cada um é e pretende para os próximos 5 anos. Conhecendo isso, vote em consciência.

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